Os Correios suspenderam parcialmente o plano de reestruturação que estava em andamento. A decisão, tomada neste mês, interrompe o fechamento de agências, a retirada de uma gratificação de R$ 500 para funcionários que atendem ao público e a implantação de um sistema de mapeamento de recursos para entregas. A suspensão ocorreu após a ameaça de greve por parte dos servidores.
A medida acontece em um momento em que a direção da empresa, comandada por Emmanoel Rondon, busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões. A estratégia visa reverter os resultados negativos dos últimos anos. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões.
Em nota, os Correios afirmaram que a suspensão é temporária. O objetivo é permitir que as entidades representativas dos trabalhadores apontem possíveis distorções na aplicação das medidas. A empresa informou que as demais iniciativas do plano de reestruturação, como a venda de imóveis e a contenção de despesas, continuam em andamento.
Um total de 256 agências já teve suas atividades encerradas. A suspensão foi proposta em uma carta a sindicalistas, como resposta ao movimento grevista. Os representantes dos trabalhadores, insatisfeitos com as medidas, indicaram uma paralisação na terça-feira passada. Após o aceno da direção, recuaram e mantiveram apenas o estado de greve, que permite uma paralisação a qualquer momento.
A carta, assinada pelo presidente da empresa e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações, propõe a suspensão do fechamento de unidades até 31 de julho de 2026. Ficam de fora as unidades já fechadas ou em processo avançado de fechamento. Durante o período, novos fechamentos serão avaliados e debatidos.
A suspensão também inclui o sistema de dimensionamento de distribuição e a reavaliação de medidas já realizadas em junho. A direção se comprometeu a interromper a retirada das remunerações relativas ao Adicional de Atendimento em Guichê e Quebra de Caixa.
O fechamento de agências e centros de distribuição é uma das ações mais relevantes para a recuperação financeira. Das 1.000 unidades que a empresa pretendia reduzir, com economia prevista de R$ 2,1 bilhões, 256 foram fechadas. O novo programa de demissão voluntária será voltado exclusivamente para essas unidades, que têm 7 mil funcionários.
Na primeira iniciativa de desligamento voluntário deste ano, apenas 3.075 funcionários aderiram, abaixo da meta de 10 mil. A economia foi de R$ 700 milhões, contra o objetivo de R$ 1,4 bilhão. Agora, a meta é desligar entre 2 mil e 3 mil pessoas. O plano de reestruturação foi apresentado no ano passado, diante da crise financeira e como condição para o aval do Tesouro a um empréstimo de R$ 12 bilhões.
