A Natura considera que o ano de 2025 foi um marco para a companhia, pela conclusão do ciclo de simplificação societária, que começou em 2022.
João Paulo Ferreira, presidente do grupo, afirmou que naquele ano a empresa concluiu a venda de ativos internacionais e simplificou a estrutura da holding, o que permitiu o retorno ao seu ticker original, a NATU3.
Durante teleconferência para comentar os resultados do último trimestre de 2025, divulgados no dia 16 de março, o executivo destacou que a companhia voltou às origens, priorizando e focando em operações e oportunidades na América Latina.
Ele disse que, no quarto trimestre, a marca Natura no Brasil teve uma leve queda de receita. Isso ocorreu por causa da menor quantidade e atividade das consultoras menos produtivas.
Apesar de a marca ter mantido a liderança, houve uma ligeira perda de market share em 2025. O resultado também foi impactado pelo ambiente de consumo desfavorável na região Nordeste.
Segundo Ferreira, medidas como o ajuste dos incentivos para a força de vendas e o fortalecimento da grade de lançamentos já foram tomadas para retomar o crescimento.
Na divisão Hispana, o México já apresenta sinais positivos de recuperação. Já na Argentina, a estabilização será mais demorada devido às condições macroeconômicas do país.
Em 2025, a empresa expandiu a margem do lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda) na América Latina. Além disso, reduziu os custos de transformação em mais de 10% em comparação com o ano anterior.
O lucro líquido das operações continuadas foi de quase R$ 1 bilhão no acumulado do ano. Para a companhia, esse número demonstra sua capacidade de ser rentável ao focar novamente no coração do seu negócio, que são as operações na América Latina.
A métrica de operações continuadas do grupo se refere às atividades na América Latina, isoladas das operações descontinuadas, que tiveram ativos vendidos nos últimos anos.
Sem esse ajuste contábil, a Natura Cosméticos teria registrado um prejuízo de R$ 2,2 bilhões no acumulado de 2025. Esse valor representa uma queda de 75,3% na comparação com o prejuízo de 2024.
A conclusão do processo de simplificação societária permitiu uma gestão mais concentrada nos mercados latino-americanos, onde a empresa tem sua história e maior penetração. O foco regional é visto como um passo estratégico para consolidar a rentabilidade após um período de reestruturação que envolveu a saída de outros mercados.
