11/07/2026
Jornal São Simão»Oito em cada dez empresas enfrentam falta de mão-de-obra

Oito em cada dez empresas enfrentam falta de mão-de-obra

Oito em cada dez empresas no Brasil enfrentam dificuldades para preencher vagas de trabalho, um cenário que se repete há cinco anos, segundo pesquisa da consultoria ManpowerGroup com 1.020 companhias. Com a taxa de desemprego em mínimas históricas, sobra espaço para quem busca emprego, mas falta mão de obra qualificada.

A Solo Network, empresa paranaense de cibersegurança e inteligência artificial, tem 385 posições em modelo híbrido ou remoto, mas não consegue preencher todas as vagas. Atualmente, busca profissionais para 21 funções, como arquiteto de soluções, engenheiro de dados e gerente de contas, com salários entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. As contratações na área de cibersegurança levam 45 dias, mas vagas comerciais demoram de dois a três meses.

O maior desafio está na contratação de profissionais com nível superior. A consultoria Robert Half aponta que a taxa de desocupação desse grupo foi de 3,3% no primeiro trimestre do ano, quase metade da taxa geral de 6,1%. Líderes empresariais consideram o problema crônico, que eleva custos operacionais e limita o crescimento dos negócios, do varejo à indústria.

Zenilda Zanardini, diretora administrativa da Solo Network, afirma que a falta de profissionais impacta a operação. “Se tivéssemos mais vendedores, teríamos ainda mais entrada no mercado. Os produtos são complexos, e a venda é consultiva, não é rápida”, diz.

A rede mineira de supermercados Verdemar, com 17 lojas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, tem 500 vagas abertas em um total de 5,5 mil funcionários, o que representa quase 10% do quadro. Faltam operadores de caixa, atendentes de padaria, estoquistas e reposições. Alexandre Poni, sócio e diretor comercial, afirma que a empresa enfrenta “dificuldade tremenda” para preencher as vagas, mesmo oferecendo salários na média do mercado e benefícios como plano de saúde.

Para atrair mais trabalhadores, a Verdemar implementou em oito lojas um acordo sindical com jornadas de 12 horas seguidas de folgas, totalizando 15 dias trabalhados por mês. O esquema exige entre 15% e 20% mais funcionários por loja e elevou os custos. Poni torce por um prazo de adaptação caso a PEC que reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais seja aprovada.

A Livraria Leitura, com 136 lojas no país, também tem dificuldade para recrutar, principalmente em cargos de entrada como atendente e assistente de loja. André Teles, um dos sócios, diz que o número de candidatos por vaga caiu pela metade. A empresa passou a flexibilizar os perfis e contratar pessoas mais velhas.

No setor de petróleo e gás, a escassez de mão de obra é agravada pela falta de formação técnica e superior. A Abespetro identificou 40 mil vagas abertas em 2024 em 35 empresas fornecedoras, com estimativa de 64 mil em toda a cadeia. Faltam soldadores, químicos, engenheiros e cientistas de dados. Empresas buscam parcerias com o Sistema S e universidades para capacitar profissionais.

Karen Cubas, da UNIBP, explica que profissionais mais velhos estão se aposentando em um momento de expansão acelerada de projetos offshore, superando a capacidade de reposição. A concorrência pelos jovens trabalhadores também aumenta a pressão sobre o mercado.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

Equipe editorial responsável pela seleção, organização e publicação de artigos e matérias para nossos leitores.

Ver todos os posts →