11/07/2026
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Polícia liga empresário a tráfico e fraude do INSS em SP

Polícia liga empresário a tráfico e fraude do INSS em SP

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta que o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada comandava uma rede de lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas. Essa rede estaria conectada a um conjunto de empresas envolvidas em uma fraude contra o INSS e na Operação Carbono Oculto. A operação Carbono Oculto investigou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis.

O caso foi chamado de Operação Saturno. Ele foi enviado à Justiça Federal em maio. O motivo foi uma possível ligação com investigações federais que já estavam em andamento. As investigações coincidiam em relação a suspeitos, estruturas empresariais e formas de lavar dinheiro.

As descobertas foram repassadas à Polícia Federal. Elas fazem parte da operação realizada nesta sexta-feira que prendeu Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, secretária de Shimada. O empresário está foragido. A defesa de Shimada disse que vai se pronunciar mais tarde.

Na quarta-feira, dois dias antes da operação, os dois foram alvo de sanções do governo dos Estados Unidos. Os EUA afirmam que eles operam um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.

A investigação que liga Shimada a outros casos começou em 2024. Ela teve início com a prisão de Alexsandro Freitas Faria, conhecido como “Leko”. Com ele, a polícia apreendeu cerca de R$ 100 mil em dinheiro e outros objetos ligados ao tráfico de drogas.

Uma perícia no celular de Leko mostrou, segundo a Polícia Civil, uma rede de lavagem de dinheiro. Havia transações entre pessoas físicas e jurídicas em uma estrutura complexa que dificultava rastrear o dinheiro.

Nos meses seguintes, a investigação identificou os fornecedores de drogas de Leko e os operadores financeiros que movimentavam o dinheiro. Foi nesse momento que o nome de Shimada apareceu.

Ele foi encontrado a partir do cruzamento de dados do celular de Leko com outras investigações. A primeira ligação foi com a Wave Intermediações, que já era alvo de uma investigação do Gaeco sobre desvios no patrocínio da VaideBet ao Corinthians.

As investigações ligaram Shimada ao comando da Wave Intermediações, que estava registrada em nome de outras pessoas. A empresa foi conectada à Victory Trading, uma microempresa fundada por Shimada em 2021. Em novembro de 2023, a Victory se tornou uma sociedade limitada. Seu capital social subiu de R$ 110 mil para R$ 30 milhões.

Foi entre novembro de 2023 e março de 2024 que a Victory recebeu R$ 25 milhões da Wave Intermediações. O relatório final do caso diz que as empresas de Shimada também estão ligadas a CNPJs envolvidos na fraude do INSS e na Operação Carbono Oculto.

Segundo os investigadores, a conexão não é direta. Ela acontece por meio de contas “bolsão”. Essas contas são usadas para receber dinheiro de várias origens, como tráfico de drogas ou outras atividades ilegais.

Parte dos operadores identificados na rede de Shimada também aparece em outras investigações. O relatório final da CPMI do INSS cita a Victory e a Wave Intermediações como parte do esquema que recebia recursos desviados de aposentados e pensionistas.

A investigação da Polícia Civil de SP aponta Shimada como parte de um dos núcleos do esquema. Esse grupo tem conexão com outro núcleo, que reúne empresas suspeitas de operar dinheiro da Arpar, ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O dono formal da Arpar, Rodrigo Moraes, foi preso em dezembro em outra investigação federal.

O relatório da Operação Saturno também cita uma ligação entre esse núcleo e a Wise Tech, que faz parte da teia de empresas investigadas na Carbono Oculto. Investigadores afirmam que há uma conexão entre a Wise Tech e um empresário envolvido na operação.

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