A sócia-administradora da Go Up Entertainment, produtora do filme “Dark Horse” sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Karina Ferreira da Gama, buscou a Lei Rouanet para captar R$ 8,59 milhões para quatro eventos. Os pedidos foram feitos pelo Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela. Desses projetos, apenas um, chamado “Rute – o Ballet”, conseguiu levantar recursos, no valor de R$ 107 mil.
A Lei Rouanet foi mencionada nas respostas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de um áudio pelo site The Intercept Brasil. No áudio, o senador e pré-candidato à Presidência pediu ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme. Em nota, Flávio afirmou que se tratava de patrocínio privado e que não houve uso de dinheiro público ou da Lei Rouanet.
O presidente Lula (PT) defendeu a Rouanet na quinta-feira (21) e criticou as conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Karina Gama e o Instituto Conhecer Brasil foram procurados, mas não responderam à reportagem.
O instituto tentou captar verbas pela Rouanet entre 2015 e 2019. O governo Bolsonaro aprovou o maior pedido, de R$ 5,9 milhões, para shows da Marcha para Jesus em 15 estados. O plano, apresentado em 2019, previa atrair 3 milhões de pessoas. Com a pandemia, o prazo foi ampliado até 2022, mas a verba não foi levantada.
O único projeto bem-sucedido foi “Rute – o Ballet”, apresentado em 2019 e realizado em 2020. O governo autorizou a captação de R$ 157 mil, dos quais R$ 107 mil foram obtidos. Outros dois projetos, o teatro “Turma do Smilinguido” e a turnê da cantora Hadassah Perez, tiveram autorização para captar cerca de R$ 1,2 milhão cada, mas não conseguiram os recursos.
Além da Go Up, Karina tem outras empresas e entidades beneficiadas por verbas públicas. O Conhecer Brasil firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, na gestão Ricardo Nunes (MDB), para receber R$ 108 milhões para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda. O instituto também recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor e roteirista do filme. Deputados estaduais direcionaram R$ 700 mil a empresas e entidades ligadas à produtora.
Daniel Vorcaro pagou R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse”. Segundo o Intercept Brasil, o valor total negociado era de R$ 134 milhões, mas não há evidências de que todo o dinheiro tenha sido repassado. A Polícia Federal suspeita que o valor possa ter financiado despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos, onde ele vive desde fevereiro de 2025. Flávio e Eduardo negam essa versão.
