07/06/2026
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Parada LGBT+ contrasta com Marcha para Jesus e expõe ausência da direita

Parada LGBT+ contrasta com Marcha para Jesus e expõe ausência da direita

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) participou da 30ª Parada LGBT+ de São Paulo neste domingo (7) usando um vestido transparente de tule preto, em traje de odalisca. No trio elétrico, ela fez poses para fotógrafos enquanto o público gritava “Erika, presidenta”. Hilton era a figura política mais esperada na avenida Paulista.

“O Brasil é um país que quer nos ver pelas costas, mas ocupamos as ruas com garra e perseverança. A maior vitória da classe trabalhadora brasileira está nas mãos de uma travesti preta”, afirmou a deputada, que apresentou a proposta do fim da escala 6×1, já aprovada na Câmara dos Deputados.

Ela cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pela votação da matéria, e o público respondeu com gritos de “Fora, Alcolumbre”. O entusiasmo em torno de Hilton contrasta com a postura da direita, que se distanciou da Parada e compareceu à Marcha Para Jesus três dias antes.

Estiveram no evento religioso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB-SP) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi, mas ficou isolado no trio elétrico principal.

Assim como nos últimos anos, o prefeito e o governador não foram à Parada. A assessoria de Tarcísio não respondeu aos contatos. Já a assessoria de Nunes informou que ele estava inaugurando o Parque Verde da Mooca Vereador José Índio, na zona leste.

Matheus Emílio, diretor da Parada LGBT+, de 30 anos, afirmou que o evento está sempre aberto a representantes dos poderes Executivo e Legislativo, sem restrições ideológicas. Ele lamentou a ausência de Tarcísio e Nunes, destacando que a festa é um marco do calendário cultural da capital.

“O contraste com a Marcha para Jesus mostra que cidadãos LGBT+ ainda são tratados como cidadãos de segunda classe, nossas pautas não são prioridade e não existe um compromisso público com a nossa comunidade”, disse Emílio.

Nem sempre foi assim. Em outros anos, políticos de direita participavam da Parada. O tucano Bruno Covas (1980-2021), de quem Nunes foi vice, esteve na Paulista em três edições, embora tenha sido vaiado em 2018. O ex-governador Geraldo Alckmin também comparecia ao evento.

Segundo Emílio, a ascensão do bolsonarismo reduziu o respeito às diferenças. “A questão é atrapalhar a Parada. O conservadorismo e a extrema direita tentam tirar direitos das pessoas. Eles falam em liberdade, mas qual liberdade defendem?”

No domingo, o vereador Lucas Pavanato (PL) foi à Paulista e causou confusão ao provocar os presentes, gravando vídeos para as redes sociais. Pavanato apoia um projeto do vereador Rubino Nunes (União Brasil) que propõe transferir a Parada para espaços fechados e proibir a presença de crianças.

A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou a iniciativa. “O Brasil é muito maior que meia dúzia de caras de pau que estão no Congresso Nacional, na Câmara dos Vereadores e na Assembleia Legislativa. Parece que não têm problema no país e tentam atacar a maior parada do mundo”, disse ela, em discurso que também reforçou o apoio ao fim da escala 6×1.

Passaram pelo trio o deputado estadual Eduardo Suplicy (PT-SP), que cantou “Blowin’ in the Wind”, de Bob Dylan, o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP) e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello.

O orçamento foi um ponto sensível neste ano. Houve redução de patrocínio, resultando em uma festa menos opulenta, com seis trios elétricos a menos. Nunes também diminuiu o investimento, de R$ 6 milhões para R$ 5,5 milhões.

Um grupo ligado ao PCdoB usou máscaras de Tarcísio, Nunes, Flávio, do presidente dos EUA Donald Trump e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Um cartaz dizia “familícia bolsomaster”, em referência ao caso do Banco Master.

O policial militar Alexandre Dias, de 39 anos, circulava pela Paulista com um cartaz afirmando que os partidos PL, MDB, União Brasil, PSD e Novo não se importam com a comunidade LGBT+. Segundo ele, essas siglas lutam contra os direitos humanos. Dias evitou dizer se seu pensamento é minoritário na corporação.

“É preocupante não termos uma presença forte de políticos aqui na Parada, e a presença maciça de políticos na Marcha Para Jesus é assustadora”, afirmou. “Quando a religião entra tão diretamente na política, isso é preocupante.”

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