02/03/2026
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John Textor, dono do Botafogo, afastado da Eagle: ‘Guerra Civil

John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, foi oficialmente destituído da liderança da Eagle Football Holdings (EFH). A decisão foi tomada no final de janeiro pela Ares Management, que ativou uma cláusula de proteção ao crédito no decorrer de um processo interno na justiça britânica, em resposta à deterioração da situação financeira e societária da holding. Textor, um cidadão americano, se referiu à situação judicial como uma “guerra civil”.

A ação remove Textor do gerenciamento operacional da Eagle, marcando um ponto de virada no tumultuado processo financeiro que envolve a empresa. O documento que oficializou a saída de Textor endossa a data de final de janeiro.

Conforme o GLOBO apurou no mês passado, a faísca para a ação foi uma reestruturação interna orquestrada por Textor, que destituiu membros independentes da estrutura de governança da Eagle. Essa movimentação foi vista como um risco adicional pelos credores, levando a Ares a invocar garantias contratuais já previstas para situações de descumprimento ou deterioração da governança.

No entanto, há uma distinção central do ponto de vista societário. A Eagle continua a controlar o Botafogo, mas a mudança não implica automaticamente na mudança de controle da SAF alvinegra. A gestão, atualmente comandada por John Textor, só pode ser alterada por decisão do próprio Conselho da SAF ou pelo término da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atualmente protege a composição do Conselho e a estrutura de governança.

Portanto, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle como credora, a administração do Botafogo permanece inalterada neste primeiro momento. Textor, no entanto, pode ser removido do cargo posteriormente.

Após a decisão vir à luz do público, Textor se expressou por meio de uma extensa nota oficial, na qual explicou as decisões tomadas recentemente, como as demissões de Hemen Tseayo e Stephen Welch, e lamentou que o Botafogo tenha sido “deixado à deriva”.

Na nota, Textor afirmou que a decisão resultou em uma “lamentável guerra civil” que transformou uma organização esportiva solidária e bem-sucedida em um atoleiro financeiro. Ele alega que o clube financeiramente mais forte do Brasil, que enviou dinheiro e jogadores para o então líder da Liga Europa, foi deixado à deriva, com grandes contas a receber intragrupo em aberto, sob a direção de um “conselho secreto” na França, o que constitui uma clara violação da lei francesa.

Na sua nota, Textor também discute a cronologia dos eventos e alega que os registros da Companies House no Reino Unido foram manipulados por interesses concorrentes. Ele se opõe ao arquivamento de documentos frívolos por credores terceirizados na Companies House, que buscam restringir os direitos dos acionistas das empresas do Grupo Eagle.

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