A FIFA recuou em um dos projetos mais ambiciosos de sua história recente. O presidente Gianni Infantino pretendia criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que ficaria responsável pelos direitos comerciais e de transmissão de torneios como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A proposta previa a entrada de investidores privados no negócio e, em troca, a entidade aumentaria os repasses às 211 federações filiadas de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com promessas que chegavam a US$ 40 milhões.
A ideia de privatizar o principal patrimônio do futebol gerou uma crise sem precedentes. O plano foi engavetado após uma série de reações contrárias. Um dos motivos foi o racha interno na governança do esporte. O próprio Infantino reconheceu que o projeto criou divisões irreparáveis e enfraqueceu a entidade em vez de unificá-la.
A UEFA liderou a oposição mais dura. A entidade europeia avisou que os países do continente poderiam boicotar as competições caso a privatização dos direitos comerciais fosse adiante. Isso esvaziaria o valor da Copa do Mundo. Além da Europa, as confederações da Concacaf e da AFC (Ásia) rejeitaram a proposta publicamente. Conmebol, CAF (África) e OFC (Oceania) também travaram o andamento e exigiram explicações.
A crise chegou ao alto escalão da FIFA. Carlos Cordeiro, um dos assessores de confiança de Infantino, renunciou ao cargo em protesto contra a criação da FFE. A saída mostrou que a resistência existia dentro da própria entidade. A promessa de aumentar os repasses financeiros, acompanhada de documentos vazados com ofertas de até US$ 40 milhões, levantou suspeitas de “compra de votos” e gerou questionamentos éticos sobre o uso do dinheiro.
O plano também perdeu apoio no cenário político internacional. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou publicamente ter discutido a proposta com Infantino. A FIFA tentava usar líderes globais para dar credibilidade ao projeto, mas ficou isolada. A proposta ainda descaracterizou o papel institucional da entidade, que passou a focar na atração de investidores e na rentabilidade, deixando de lado o objetivo de desenvolver o futebol de forma equilibrada.
Agora, Infantino prometeu reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar alternativas. O desafio é encontrar uma forma de ajudar financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.
