04/08/2026
Jornal São Simão»Notícias»Governo Lula reduz leilões de rodovias em 2026 para 10

Governo Lula reduz leilões de rodovias em 2026 para 10

Governo Lula reduz leilões de rodovias em 2026 para 10

O governo federal reduziu a previsão de leilões de rodovias para 2026. A diminuição ocorre em meio a dificuldades para destravar os certames dos chamados “contratos estressados”, que são projetos antigos que fracassaram e passaram por repactuação.

Os problemas incluem o acúmulo de projetos na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e um acordo frustrado no TCU (Tribunal de Contas da União). A previsão inicial era de 14 leilões neste ano, sendo seis repactuações.

Em novembro, o Ministério dos Transportes anunciou 13 certames para 2026. A pasta adiou a concessão da Rota Agro Central (BR-070/174/364/MT/RO) para ajustes na proposta. Agora, o ministério afirma que fará 10 leilões, sendo cinco de repactuações.

Três leilões já foram realizados: o lote das Rotas Gerais (BR-116/251/MG), a Rota dos Sertões (BR-116/324/BA/PE) e o trecho de 383 km da rodovia Régis Bittencourt (BR-116/SP/PR), que passou por repactuação.

Uma fonte ligada ao governo federal disse à reportagem que os projetos de otimização da Rodovia Transbrasiliana (BR-153/SP) e da Rota Planalto Sul (BR-116/PR/SC) estão parados. A ANTT analisa se dará prosseguimento ao trâmite por meio de acordo na Compor (Câmara de Negociação e Solução de Controvérsias).

A câmara foi criada pelo órgão regulador com apoio da PGF (Procuradoria-Geral Federal) e da AGU (Advocacia-Geral da União). O objetivo é lidar com disputas e litígios acumulados em contratos de concessão de longo prazo. Atualmente, os processos de repactuação passam pela SecexConsenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos), do TCU.

Procurada, a ANTT negou que estude a tramitação das repactuações da Rota Planalto Sul e da Rodovia Transbrasiliana por meio da Compor. “Não há, no âmbito da Compor, procedimento em andamento com essa finalidade”, disse o órgão em nota. Segundo a agência, as concessionárias estão fazendo adequações nos estudos para que os projetos possam ser submetidos ao TCU.

Outro entrave é a concessão da Rota Litoral Sul, que corta municípios do Paraná e de Santa Catarina. A rodovia é administrada pela Arteris desde 2008 em um contrato que duraria 25 anos. No começo do ano, o Ministério dos Transportes não conseguiu prosseguir com a repactuação porque a pasta, a ANTT e a concessionária não chegaram a um acordo na SecexConsenso.

O Ministério dos Transportes afirmou em nota que “os ajustes no cronograma dos leilões são naturais ao longo do ano”. No caso da Rota Litoral Sul, a alteração ocorreu por causa da ausência de acordo. O processo seguirá na Compor, conforme o Protocolo de Intenções assinado pelo ministério, pela ANTT e pela concessionária.

O ministério prevê mais dois leilões de otimização neste ano: Rota do Pequi e Rota Arco Norte. A Rota Arco Norte abrange 1.010 km da BR-163, entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), e funciona como corredor de escoamento da produção agrícola. A previsão é de R$ 10,42 bilhões em investimentos e R$ 4,72 bilhões em custos de operação.

A concessão foi estruturada para operar em intermodalidade com a Ferrogrão, ferrovia prevista para área paralela à rodovia. A estrada de ferro não saiu do papel devido a embates socioambientais. O leilão da Rota Arco Norte está marcado para 12 de novembro.

A Rota do Pequi, com 211,6 km em Goiás e no Distrito Federal, tem previsão de R$ 4,14 bilhões em investimentos e R$ 3,46 bilhões em custos de operação. Das novas concessões, o ministério prevê leiloar a Rota Agro Central e a Rota 2 de Julho (BR-116/324/BA), além de dois projetos no Rio Grande do Sul, batizados de Portuária e Integração do Sul.

Fernando Vernalha, advogado especialista em infraestrutura, diz que um dos gargalos é a limitação da capacidade operacional da ANTT. “A agência enfrenta um problema de limitação da sua capacidade operacional, fruto dos cortes orçamentários e dos contingenciamentos que houve neste ano e nos anos anteriores”, afirma.

O Senado aprovou em junho um projeto que blinda o orçamento das agências reguladoras, incluindo a ANTT. O texto impede o contingenciamento de recursos de 12 agências e ainda passará pela Câmara dos Deputados.

Marco Aurélio Barcelos, presidente da ABCR (Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias), afirma que o não cumprimento da meta não frustra o setor. Ele diz que o ministério deve garantir que os certames adiados sejam realizados nos próximos anos. Barcelos também cita o licenciamento ambiental como um desafio para os contratos.

Thiago Araújo, sócio do Bocater Advogados, diz que a redução no número de leilões não deve ser atribuída a um fracasso do governo Lula. “Talvez seja preferível não concretizar um pipeline tão agressivo a dar um passo atrás e somente dar ao mercado projetos mais sólidos, que tenham estudos de melhor qualidade e que já tenham sido analisados pelo TCU”, diz.

Sobre o autor: Coordenacao Editorial

Equipe editorial responsável pela seleção, organização e publicação de artigos e matérias para nossos leitores.

Ver todos os posts →
Arquivo de notícias