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O Entregador debate precarização do trabalho por aplicativo no Sesc Ceilândia

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O Entregador debate precarização do trabalho por aplicativo no Sesc Ceilândia
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O espetáculo O Entregador faz suas últimas apresentações nesta quarta e quinta-feira (26 e 27), no Teatro Newton Rossi, no Sesc Ceilândia. As sessões ocorrem às 16h e às 20h, com entrada gratuita. A peça discute o trabalho mediado por aplicativos, a promessa de autonomia e as condições enfrentadas por quem depende das plataformas digitais para garantir renda.

A montagem tem dramaturgia de Rodolfo Godoi e direção de Godoi e Kamala Ramers. Em cena, Flávio Café e Lupe Leal conduzem a narrativa sobre trabalhadores submetidos à lógica das plataformas digitais. A peça questiona os discursos de liberdade, autonomia e empreendedorismo presentes nas novas relações de trabalho. Com duração de 60 minutos, a apresentação propõe uma reflexão sobre renda, trabalho, relações sociais e condições de vida no mundo contemporâneo. A classificação indicativa é livre.

O projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC/DF) e busca aproximar teatro e educação. As sessões das 16h são voltadas para estudantes do ensino regular da rede pública. Já as apresentações das 20h têm como público principal alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), turmas do ensino noturno, professores, trabalhadores e integrantes da comunidade escolar.

As escolas públicas interessadas devem fazer agendamento prévio por meio de formulário, informando instituição, quantidade de estudantes e turno escolhido. A participação está sujeita à disponibilidade de vagas. Antes do espetáculo, as turmas participam de uma atividade de mediação para preparar os estudantes e criar um espaço de diálogo sobre os temas abordados em cena, relacionando o conteúdo às experiências dos alunos, de suas famílias e comunidades.

Rodolfo Godoi, professor da rede pública do DF, sociólogo e dramaturgo, afirma que a peça trata de uma experiência próxima da vida dos estudantes e trabalhadores do Distrito Federal. Segundo ele, a obra discute a precarização do trabalho por aplicativo e a promessa de liberdade vendida pelo empreendedorismo. Godoi defende que levar esse debate às escolas é uma forma de transformar o teatro em espaço de reflexão social.

O espetáculo dá continuidade à pesquisa de Godoi sobre trabalho, sociedade e capitalismo contemporâneo. O trabalho anterior, Übercapitalismo, circulou por escolas, teatros e festivais no Brasil e no exterior. Com O Entregador, a investigação se volta para o trabalho intermediado por plataformas digitais, realidade cada vez mais presente no cotidiano. A temporada no Sesc Ceilândia reforça a proposta de democratização do acesso à cultura e de formação de público.

A iniciativa busca aproximar estudantes e trabalhadores do teatro e estimular a reflexão sobre transformações que já fazem parte da vida diária, especialmente em um cenário em que os aplicativos ganham espaço crescente nas relações profissionais e na geração de renda.

Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados no local. O agendamento para escolas públicas pode ser feito pelo link https://forms.gle/kDMMCu4tJkyYBLn57.

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