Um sistema de baixa pressão que passa sobre o norte da Argentina e o Paraguai a partir desta quinta-feira (6) pode dar origem a um ciclone extratropical com características de ciclone bomba. A previsão indica impacto na região entre o Uruguai e o litoral do Rio Grande do Sul, com reflexos também em Santa Catarina.
O astrônomo do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), Micael Cecchini, explica que o fenômeno acontece quando uma massa de ar muito fria encontra uma massa de ar quente, o que provoca queda rápida da pressão atmosférica. Para ser considerado ciclone bomba, ou ciclogênese explosiva, o sistema precisa apresentar queda de pelo menos 24 hPa em 24 horas.
A formação do ciclone deve intensificar as tempestades na área de encontro entre as duas massas de ar, com raios e possibilidade de granizo. Conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), se a previsão se confirmar, essas condições devem ocorrer entre esta sexta-feira (7) e sábado (8).
Imagens de satélite mostram que os ventos mais fortes devem atingir principalmente o Oceano Atlântico, com velocidade que pode passar de 100 km/h. Na faixa costeira do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, as rajadas podem superar 60 km/h.
Com o deslocamento do ciclone em direção ao Oceano Atlântico, no sentido sudeste, uma frente fria ligada ao fenômeno deve avançar sobre a Argentina e o Sul do Brasil. A chegada de uma massa de ar frio deve derrubar as temperaturas na região.
