Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, está de volta. Preso duas vezes pelos escândalos do mensalão e da Lava Jato, ele quer se candidatar a deputado federal em 2026 por Goiás. O ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados.
“Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse ele em entrevista. Em duas horas de conversa, Delúbio defendeu sua inocência. Ele não chama o mensalão pelo nome, mas por “ação penal 470”, número do processo no STF.
Para ele, a denúncia foi a porta de entrada para anos de perseguição política ao PT. Apontado como operador do mensalão, sempre negou o pagamento de mesada a deputados aliados, mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas. Foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena por mais de dois anos e recebeu indulto em março de 2016.
Dois anos depois, foi condenado a seis anos de prisão pela Lava Jato sob acusação de ter obtido empréstimos fraudulentos. A prisão foi revogada em novembro de 2019, quando o STF decidiu que a pena só poderia ser cumprida depois que todos os recursos fossem esgotados. Em 2023, o STJ anulou a sentença por entender que a tramitação deveria ter ocorrido na Justiça Eleitoral.
Delúbio sustenta que não fez nada de errado, chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio” e reduz suas agruras a situações “da política”. Ele diz não guardar mágoas de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar e do qual ficou longe entre 2005 e 2011. Abraçado por Lula publicamente, recebeu menção de destaque durante encontro do PT em agosto de 2025.
O ex-tesoureiro afirma que quer estar no Congresso para ajudar Lula a governar e aumentar a bancada progressista de Goiás. Ele cita pautas como energia, transporte e educação, defendendo a criação de um fundo soberano para sustentar a educação básica. Delúbio também diz que a eleição de Lula é vital para o país e precisa ser no primeiro turno.
Sobre a volta de outros condenados do mensalão às urnas, ele repete que não se trata de resgate de imagem. “É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, afirma. Delúbio diz que a eleição não muda sua vida, mas é importante para integrar o debate e trocar experiências.
