15/08/2026
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Paris: Roteiro Gastronômico de Luxo Surrealista

Paris: Roteiro Gastronômico de Luxo Surrealista

Paris é uma cidade feita para ser explorada a pé, mas cruzar as portas do Hôtel Le Meurice eleva a experiência a outro nível. Inaugurado em 1835, o local é conhecido como o “hotel dos artistas”. Foi ali que Pablo Picasso celebrou seu casamento e onde o mestre surrealista Salvador Dalí morou por mais de duas décadas, com excentricidades como pilotar uma Harley-Davidson na suíte presidencial ou exigir ovelhas vivas em seu quarto. Hoje, o hotel segue no centro da cultura pop, tendo servido de estúdio para Jay-Z e Kanye West.

Uma das experiências mais procuradas do local é o restaurante Le Dalí, que funciona no coração do hotel. O ambiente foi remodelado pelo designer francês Philippe Starck, unindo a opulência clássica do estilo Luís XVI a toques contemporâneos e distorções surrealistas que homenageiam o pintor espanhol. O destaque visual é a imensa lona pintada à mão no teto por Ara Starck, filha do designer, que cria um reflexo onírico junto aos espelhos inclinados e cadeiras propositalmente descombinadas do salão. À noite, um piano ao vivo dita o ritmo do local.

Sob a tutela de Alain Ducasse e a execução da chef Clémentine Bouchon, o menu do Le Dalí foca em culinária francesa sazonal com filosofia farm-to-fork (do campo para o garfo). O restaurante tem o selo Écotable, que reconhece seu compromisso com a gastronomia sustentável, usando 95% de ingredientes de produtores locais. Entre as opções estão o risoto de frutos do mar, o arancini e o filé de peixe Sole meunière com espinafre.

Para muitos, o maior segredo do Le Dalí é a confeitaria. Conseguir um doce na boutique de rua do chef pâtissier Cédric Grolet, eleito o melhor do mundo e fenômeno no Instagram, costuma exigir horas em filas nas calçadas de Paris. No Le Dalí, as esculturas comestíveis em formato de frutas (trompe-l’œil) e clássicos como o Saint-Honoré ou a torta de pistache são servidos à mesa. Outra atração é o Afternoon Tea (Chá da Tarde), reformulado com pegada contemporânea, que inclui sanduíches finos como lobster roll e brioche com salmão e caviar, combinados a frutas esculpidas da temporada.

O esplendor revisitado

Na icônica Avenue Montaigne, o histórico Hôtel Plaza Athénée passou por uma das revoluções gastronômicas mais comentadas da Europa. Quando o chef Jean Imbert assumiu as panelas do palácio, substituindo Alain Ducasse, o mundo da alta cozinha ficou atento. O restaurante Jean Imbert au Plaza Athénée conquistou sua estrela Michelin, fundindo o luxo aristocrático com frescor contemporâneo.

O salão Régence, redesenhado por Rémi Tessier, tem teto de ouro com mais de 20.000 folhas de ouro que refletem a luz de lustres de cristal originais de 1913. O centro é dominado por uma mesa de 12 metros esculpida em um único bloco de mármore rosa Breccia, com castiçais antigos e arranjos florais. As louças são de porcelana Limoges, os talheres de prata Christofle e as taças de cristal Baccarat.

Jean Imbert mergulhou nos arquivos da história da gastronomia francesa para recriar banquetes imperiais. Apoiado pelos chefs executivos Jocelyn Herland e Mathieu Emeraud, o menu prioriza pequenos produtores locais franceses e frutos do mar pescados na Bretanha. O encerramento do jantar é um espetáculo teatral: um sino ecoa pelo salão, as luzes se apagam e uma janela se abre para revelar os confeiteiros finalizando os pratos à vista de todos. Comandado por Angelo Musa e Elisabeth Hot, o menu encerra com a Crêpe Soufflée flambada com Grand Marnier e o extravagante Grand Dessert.

O Hôtel Plaza Athénée, inaugurado em 20 de abril de 1913, está localizado no número 25 da Avenue Montaigne, no coração do Triângulo de Ouro de Paris. O palácio é famoso por sua fachada neoclássica com toldos e gerânios vermelhos. Projetado pelo arquiteto Charles Lefebvre, o hotel teve seu restaurante Le Relais Plaza inaugurado na década de 1930 em estilo Art Déco, inspirado no navio transatlântico SS Normandie. O destino do Plaza Athénée mudou em 1947, quando Christian Dior abriu sua primeira maison na mesma rua. Dior considerava o hotel seu segundo lar e usava os salões para fotografar suas coleções e hospedar suas clientes mais ricas.

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