27/05/2026
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Pai de falso médico também atuava ilegalmente

O pai do falso médico preso por exercer ilegalmente a profissão em um hospital da zona leste de São Paulo também já foi investigado pelo mesmo crime. A informação foi dada pelo secretário da Segurança Pública de São Paulo, Nico Gonçalves, na tarde de hoje no 22º DP, na zona leste.

Segundo Gonçalves, o pai do preso atuava ilegalmente como médico e teria ligação com o crime organizado. A identidade do homem e outros detalhes de sua atuação ilegal não foram apresentados.

O filho, Marcos Phelipe de Barros, foi preso por usar documentos falsificados para atuar como médico. Ele utilizava o registro de um médico verdadeiro de nome Nicolas e trabalhava no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na zona leste de São Paulo.

Marcos Phelipe e Maike César Silva foram alvos da Operação Hipócrates II. O segundo envolvido, que usava documentos falsos em seu nome, fugiu para o Chile, segundo a investigação.

A polícia informou que ambos fizeram mais de 2 mil atendimentos em dois anos. É apurado se eles foram responsáveis pela morte de nove pessoas após atendimentos precários e errôneos.

Em uma das mortes, uma idosa precisou de ressuscitação cardíaca, e um dos falsos médicos não sabia como fazer o procedimento. Durante o atendimento, ela teve uma parada cardíaca e morreu. Segundo o delegado José Mariano Filho, o homem não conhecia a técnica de reanimação.

Em outro episódio, uma mulher esperou oito horas por um exame. Após a constatação do óbito, o Instituto Médico Legal concluiu que houve erro de procedimento e a vítima morreu de aneurisma na aorta.

Durante a investigação, Marcos Phelipe foi flagrado aplicando uma caneta emagrecedora em uma mulher na calçada. Em vídeo obtido pelo UOL, é possível ver o homem saindo de um residencial no Tatuapé. Usando um moletom preto, ele encontra a mulher em um carro, aplica o injetável do lado de fora do veículo e a ação dura menos de dois minutos.

Marcos foi preso na manhã de hoje durante a operação. Agentes cumprem sete mandados de busca e apreensão e dois de prisão temporária. A ação é conduzida pelo 22º Distrito Policial, de São Miguel Paulista, e ocorre em São Paulo, São Bernardo do Campo, Guarulhos, Poá e Mogi das Cruzes.

A Justiça determinou o afastamento da gestora operacional e do diretor clínico do hospital durante as investigações. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.

O delegado responsável afirmou que a investigação busca também quem deu suporte ao esquema. “Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes e indícios de falhas que vão além dos falsos médicos”, disse Mariano de Araújo.

A primeira fase da operação ocorreu em 16 de dezembro do ano passado, com buscas no hospital. A polícia afirma que as diligências continuaram até a identificação de alguns alvos, o que levou à nova etapa de hoje.

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